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Filosofia: a Política Cultural de Platão

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Platão (427 – 347 a.C.) nasceu no dia dedicado ao deus Apolo, sendo filho deste com a virgem Perictione. O recém-nascido foi saudado recebendo mel derramado diretamente em seus lábios por abelhas sagradas que habitam o Monte Hymettus. Um dia antes de ser apresentado a Platão, Sócrates teve um sonho no qual um cisne, pássaro símbolo de Apolo, pousava em seus joelhos. Desta forma o gênio de Platão é explicado por sua origem divina.

Embora esta descrição mítica seja sabidamente uma produção de Speusippus, sobrinho de Platão e seu herdeiro no comando da Academia, foi uma tentativa de, após sua morte, justificar sua genialidade. Na ausência do mito a solução para racionalizar o efeito da obra de Platão é estender sua projeção em termos históricos. Filósofos contemporâneos enfrentando a dificuldades para medir a influência da obra de Platão recorreram a este ardil: Alfred Whitehead afirmou que toda a história da filosofia não passaria de uma série de notas de rodapé ao texto platônico[1]; de modo similar, o filósofo Arthur Danto acredita que a história da filosofia seria uma séria de emendas ao testamento platônico que baniu a arte de sua cidade ideal[2]; já para Richard Rorty esta condição de apontamento ao texto platônico não seria valida apenas para a filosofia, podendo ser estendida a toda cultura ocidental[3].  Tais declarações grandiloquentes também produzem um efeito mistificador quanto ao gênio platônico, no entanto, provavelmente não temos outra forma para lidar com ele.

O nome Platão, que significava ombros largos, seria uma referência ao seu amplo domínio de estilos (ou de conhecimentos).  Comumente se diz que seu verdadeiro nome era Aristócles, o mesmo de seu avô paterno, contudo esta informação é pouco confiável. Como observa a estudiosa Julia Annas, não é provável que um homem ilustre como Platão tenha sido denominado durante toda vida por um apelido e que não tenhamos nenhuma notícia de seus contemporâneos sobre esta mudança de nome.[4]

Como é comum com os pensadores da antiguidade, quando a filosofia era tomada como um modo de vida, existem muitas anedotas sobre a vida de Platão, no entanto, na maioria dos casos tratam-se de histórias que tem fonte pouco confiável. Uma delas, contada por Diógenes Laércio, afirma que Platão teria composto um conjunto de tragédias e pretendia inscrevê-las na competição que marcava o festival de Dioniso, no entanto, encontrou Sócrates no meio do caminho. Ao topar com Sócrates mudou sua trajetória, voltou para casa e queimou suas composições dramáticas.[5] Provavelmente essa anedota não é verdadeira, no entanto, não deixa de ser uma boa história já que sabemos que foi sob a influência de Sócrates que o jovem Platão se entusiasmou pela Filosofia.

O melhor guia para informações biográficas sobre Platão é a Carta Sétima. Escrita seis anos antes de sua morte trás uma descrição de porque Platão escolheu dedicar sua vida à filosofia. Sendo ele membro de uma importante família na vida pública ateniense[6] era de se esperar que se interessasse por seguir uma carreira política e, realmente, este foi seu anseio (324 c). No entanto, tendo presenciado quando jovem as atrocidades cometidas pelos Trinta Tiranos, sendo que alguns deles eram seus parentes e amigos[7], viu suas ilusões sobre a política serem colocadas em dúvida. Quando a ditadura dos Trinta Tiranos foi derrubada e se reinstalou a Democracia, novamente Platão se entusiasmou, embora de modo mais brando que antes, com a possibilidade de participar da vida política. Contudo, diante dos exageros nos atos de vinganplatao4ça contra os antigos tiranos e, mais profundamente, pela condenação de Sócrates à morte por acusações que para Platão seriam infundadas, viu crescer seu desanimo quanto à atividade política. Em verdade, passou a crer que a corrupção dos costumes e da legislação era tamanha que seria necessário uma reforma cultural radical para que se pudesse remediar a injustiça reinante. Tomou Sócrates como seu modelo de cidadania, seria ele “o varão mais justo de seu tempo” (325 a), o único que praticava a verdadeira política (Górgias 521 d). No entanto, se este homem exemplar havia sido condenado à morte pela democrática cidade de Atenas, justifica-se a necessidade de uma profunda reforma cultural, para que, não somente o justo seja reconhecido enquanto tal, mas que a ele seja concedida a autoridade do verdadeiro governante (dado que possui o conhecimento do justo). Platão concebe sua escolha por uma vida filosófica como uma continuação da política por outros meios. Podemos dizer que ele compreendia sua filosofia como uma atividade de política cultural, embora ansiasse pelo momento em que os autênticos filósofos fossem os governantes, o que, segundo ele, seria o único caminho para que tenham fim “os males para o gênero humano”(326 b).

Por conta deste projeto político, Platão viajou três vezes até Siracusa na Sicília, então a mais forte cidade grega, na intenção de convencer seus governantes a fundamentar seu governo em bases filosóficas, tornando-se autênticos reis-filósofos. Suas tentativas de converter os tiranos locais a uma perspectiva filosófica de governo foi um enorme fracasso (conta-se que Platão por falar com Dionisio I com muita franqueza teria provocado a ira do tirano,  que, como vingança vendeu como escravo o eminente filósofo), no entanto, nessas viagens se aproximou mais do pitagorismo e conheceu Dião, jovem de quem se enamorou em sua primeira viagem e que lhe inspirou a retomar as tentativas de  intervir  em Siracusa. De volta à Atenas depois de sua primeira viagem à Itália, em 383 a.C., Platão fundou a Academia, um centro de estudos avançados que muitas vezes é visto como precursor das modernas universidades. Sua Academia não era dogmática e incentivava o debate, continuando a tradição socrática, procurava ensinar a pensar filosoficamente não se prendendo a um conjunto de preceitos, mas a temáticas que eram preocupação constante. Alguns autores sustentam que Platão promovia nela leitura de textos que não se destinavam a publicação: numa dessas leituras públicas, intitulada “Sobre o Bom”, teria frustrado as expectativas de seus ouvintes que esperavam ouvir algo sobre como levar uma boa vida, enquanto a fala platônica se focava na matemática. O primado das “doutrinas não-escritas” é controverso, já que muitos estudiosos negam a existência de tais leituras privadas e confiam nos diálogos como um gênero praticado dentro da Academia. A edição das obras platônicas seria uma tarefa contínua e, até mesmo, alguns textos provavelmente foram construídos como colaboração coletiva, como a argumentação dialética dos Livros I e II das Leis, que estavam incompletos quando da morte de Platão aos 80 anos. A fama alcançada pelos textos platônicos motivou a fundação de sua Academia, mas como são estes textos?

Platão, após a morte de Sócrates – condenado sob a acusação de corromper a juventude e introduzir novos deuses –, tratou de honrar sua memória escrevendo diálogos onde dramatizava conversações em que seu mestre é o protagonista. A obra de Platão sagrou o modo de vida de Sócrates e sua dedicação a busca da Verdade em oposição ao tipo de educação oferecido através dos poetas e dos sofistas. Os diálogos socráticos não foram uma invenção de Platão, mas ele foi o grande mestre nesta arte e conseguiu neles exercer seus dotes literários, construindo um gênero de discurso – que para Nietzsche, seria precursor do romance moderno, por sua mistura de gêneros e principalmente, pela submissão da criatividade poética à racionalidade – continuou empregando mesmo em seu período tardio, em textos onde a figura de Sócrates geralmente ficou ausente. Nos diálogos discutia temas como metafísica, epistemologia, ética, teoria política, linguagem, arte, matemática, ciência, religião, ontologia, teologia, cosmologia ou o amor, a amizade, a coragem etc. Com isso Platão é considerado o fundador da filosofia como a conhecemos, cabendo a Aristóteles, seu discípulo, o mérito pela sistematização e organização dos campos de investigação.

Como todo autor revolucionário, que pretende demarcar sua diferença em relação aos seus concorrentes, Platão postula uma oposição radical entre a perspectiva filosófica, por ele defendida, e aquelas oferecidas pela poesia e a retórica. O poeta e o sofista são muitas vezes inimigos caricaturados e, até mesmo, tomados como indistintos: chega a sugerir que a poesia é uma forma de retórica. No entanto, Platão precisava se utilizar da retórica e do mito para promover a criação de um campo de saber que seria diferente destes. Isso não deixa de gerar uma situação problemática, como aquela em o que o Barão de Münchhausen que dizia ter se salvo do afundamento em areias movediças ao puxar a si mesmo pelos cabelos. Este paradoxo ganha forma na famosa “Alegoria da Caverna”, uma imagem poderosa que Platão utiliza para mostrar o poder que teria a Filosofia de separar realidade e aparência. Nela cria uma narrativa que funciona como uma sombra (aparência) que denuncia o mundo das sombras (aparências) cotidianas. Arthur C. Danto explica a paradoxal situação dos prisioneiros da Caverna descrita por Platão: “Tudo o que conhecem os prisioneiros são sombras e imagens projetadas na parede da caverna. Estas compõem sua realidade. As sombras são a pedra de toque da inteligibilidade para as criaturas que se encontram em suas circunstâncias, porque, como a única coisa que conhecem são as sombras, não terá significado para eles nenhuma afirmação salvo as que se referem as sombras. Isto é o que dificulta, ou, quem sabe, torna impossível que conheçam os limites do seu mundo e inclusive que seu mundo tem limites, porque, como fazer inteligível a expressão “somente sombras” em termos que se referem somente a sombras? Está é uma afirmação sobre a realidade feita a partir de fora dela e alguém que compreenda a realidade somente de dentro não pode saber que o está fazendo assim. Haja visto que não cabe que nos lhes expliquemos, a liberação deve ser uma espécie de milagre lógico e, assim, Platão recorreu a poesia e a metáfora, dado que a explicação literal estava excluída”[8].

 O sucesso da invenção de Platão estaria na criação dos critérios pelos quais ele mesmo seria julgado. Isto parece ter ocorrido, já que o leitor que procura Platão pressupondo um texto onde existiria uma separação explícita entre Literatura e Filosofia, persuasão e justificação; ou uma definição clara e exame exaustivo dos termos e das distinções estabelecidas (como acontece na Poética de Aristóteles) ira se decepcionar. O formato dramático do diálogo platônico mantém e se aproveita do enigma quanto às posições que o próprio Platão defendia e quais seriam de seu mestre Sócrates.

 

Autenticidade e cronologia das obras de Platão

 

A definição da autenticidade e da cronologia dos escritos de Platão é objeto de polêmica, já que pequenas diferenças podem justificar variações na forma de interpretação. Embora todas as obras de Platão tenham sido preservadas, existem diversas atribuídas a ele que são falsas ou de autoria duvidosa. Pela divisão feita por Trasílaco de Mendes no século I os diálogos atribuídos a Platão seriam os seguintes (divididos em nove tetralogias): (1) Eutífrone, Apologia de Sócrates, Crítão, Fedão, (2) Crátilo, Teeteto, Sofista, Político, (3) Parmênides, Filebo, Banquete, Fedro, (4) Primeiro Alcibíades, Segundo Alcibíades, Hiparco, Os rivais, (5) Teages, Carmides, Laquete, Líside, (6) Eutidemo, Protágoras, Górgias, Menão, (7) Hipias Maior, Hípias Menor, Íão, Menéxeno, (8) Clitófonte, A República, Timeu, Crítias, (9) Minos, Leis, Epínomis, Cartas. Todas estas obras foram traduzidas por Carlos Alberto Nunes na edição da Universidade Federal do Pará (que tomamos como referência para este trabalho), mesmo as sabidamente apócrifas como Hiparco, Teages, Os Rivais, Minos, Epinomis e Clitofonte;  além de algumas que já haviam sido descartadas na Antiguidade: Do justo, Da virtude, Demódoco, Sísifo, Eríxias, Axíoco e Definições. Hoje a maioria dos estudiosos descartam o Primeiro Alcebíades e Segundo Alcebíades.

Vinte e seis diálogos são aceitos consensualmente pelos especialistas como sendo de autoria de Platão. Das oito epístolas a ele atribuídas, a Carta Sétima é a única geralmente aceita como sendo do gênio autor dos diálogos (ou de alguém muito próximo a ele).  A seguir apresento uma lista destes escritos e uma descrição sumária da temática de cada qual:

 

Eutífrone (geralmente denominado Eutífron) – sobre a impiedade em relação aos deuses, informa sobre a acusação feita contra Sócrates;

Apologia de Sócrates (também denominado Defesa de Sócrates) – o discurso de defesa de Sócrates ante o tribunal ateniense;

Critão (geralmente denominado Críton) – trata da obediência as leis, apresenta Sócrates no cárcere renegando um plano de fuga proposto por seus amigos e justificando sua posição;

Fedão (geralmente denominado Fédon) – trata da imortalidade da alma, num diálogo que mostra Sócrates nos instantes derradeiros antes de tomar cicuta;

Cármides – sobre a temperança ou o autocontrole;

Hipias Menor – acerca da falsidade e da relação entre erro e conhecimento;

Ião (geralmente denominado Íon) – sobre a atividade do rapsodo e a inspiração poética; 

Laquete (geralmente denominado Laquês) – sobre a coragem;

Protágoras – sobre a atividade dos sofistas e a possibilidade de ensino da virtude;

Górgias – sobre a retórica e modo de vida boa;

Hípias Maior – sobre a beleza;

Líside (geralmente denominado Lísis) – sobre a amizade;

Menéxeno – sátira acerca da retórica;

Menão (geralmente denominado Menon) – sobre o ensino da virtude;

Banquete – sobre o amor;

República – a partir do tema da justiça trata da educação;

Eutidemo – da retórica e da prática sofística;

Crátilo – sobre a linguagem e sua origem;

Parmênides – acerca de problemas na Teoria das Formas;

Fedro – acerca da retórica, da inspiração e banalidade da escrita;

Timeu – trata da origem e da forma do universo;

Crítias – texto inacabado apresenta o mito de Atlântida;

Sofista – sobre o ser e a aparência, a diferença entre os alvos da filosofia e da sofistica;

Política – trata da arte de governar é uma continuação do Sofista;

Filebo – sobre o prazer;

Leis – Trata da legislação, é o último e mais longo diálogo de Platão;

No que se refere a cronologia a disputa principal esta entre os que seguem critérios estilísticos e os que defendem uma perspectiva de desenvolvimento do pensamento de Platão a partir de um “período socrático” inicial. Charles H. Kahn[9] defende que o único critério confiável para classificação dos diálogos platônicos estaria na sua diferenciação por grupos estilísticos (numa cronologia estabelecida ainda no século XIX por Lewis Campbell e Constantin Ritter):

 

GRUPO I – 1. Apologia, Critão; 2. Ião, Hípias Menor; 3. Górgias, Menexeno; 4. Laquete, Carmides, Eutifrone, Protágoras; 5. Menão, Líside, Eutidemo; 6. Banquete, Fedão, Crátilo;

GRUPO II – República, Fedro, Parmênides, Teeteto;

GRUPO III – Sofista- Político, Filebo, Timeu-Critias, Leis.

 

Mudanças de estilo marcariam transição entre os grupos, no entanto Kahn é cético quanto à efetividade desta delimitação: nada inválida a hipótese de que Platão escrevesse várias obras ao mesmo tempo.[10] Os diálogos do grupo I estariam numa sequência que poderia ser considerada cronológica, reivindicação que Kahn considera espúria (na falta de evidências para sua confirmação) preferindo tomá-la não como etapas do desenvolvimento da obra platônicas, mas como diferentes momentos literários da apresentação de Sócrates, numa ordem ideal de leitura tendo em vista a distancia maior ou menor da República.[11]

Já para autores como Gregory Vlastos e Alexander Nehamas, que tem uma  visão de desenvolvimento da obra platônica partindo de um primeiro estágio socrático, a cronologia seria diferente. Para Nehamas[12] as primeiras obras de Platão seriam (em ordem alfabética): Apologia, Cármides, Critão, Eutifrone, Hipias Menor, Ião, Laquete, Protágoras. Posteriores, mas conectadas a elas, estariam os “diálogos de transição”: Górgias, Hípias Maior, Líside, Menexeno, Menão. As obras intermediárias de Platão seriam em ordem cronológica Banquete, Fédão, República, Eutidemo, Crátilo, Parmênides, Fedro, Teeteto. As últimas obras de Platão seriam, também em provável ordem cronológica: Timeu, Critias, Sofista, Político, Filebo, Leis. Esta é praticamente a mesma divisão estabelecida por Gregory Vlastos, com a diferença de que este coloca no primeiro grupo o Górgias (movimento importante para sua defesa do elenchus como o método do Sócrates histórico) e o primeiro livro da República.

 

Referências

[1] WHITEHEAD, A. N. Process and Reality. An Essay in Cosmology. New York: Free Press, 1978. p.32. APUD: WILLIAMS, Bernard. Platão: A invenção da filosofia. Trad. Irley Fernandes Franco. São Paulo: Ed. UNESP, 2000. p. 7.

[2] DANTO, Arthur. “The Philosophical Disenfranchisement of Art”. In: Great Street. Vol. 04. N° 3, 1985. p.176.

[3] RORTY, R. “La Belleza racional, lo sublime no discursivo y la comunidad de filósofas y filósofos”. Logos: Anales del seminário de metafísica. 2001. p.4.

[4] ANNAS, Julia. Plato: Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2003. p.12.

[5] Diógenes Laércio e citado em KAHN, Charles H. Plato and the Socratic dialogue: The philosophical use of a literary form. Cambridge: CUP, 1996, p.36.

[6] O pai de Platão, Ariston, e sua mãe Perictione, descendiam de legendários fundadores de Atenas que possuiriam origem divina: seu pai teria como antepassado o famoso Rei Codrus, já sua mãe seria descendente do sábio legislador Sólon (como relata no Timeu 20 e). . Platão nasceu numa data próxima a da morte de seu pai, após a qual, sua mãe se casou com o viúvo Pyrilampes, amigo intimo de Péricles e por muito tempo embaixador da Pérsia em Atenas.

[7] Dentre eles Crítias, famoso e rico sofista que era primo da mãe de Platão e Carmídes, seu tio materno. Os dois foram mortos nos atos de vingança que ocorreram após a restauração da democracia.

[8] DANTO, Arthur C. Que es filosofia? Madrid: Alianza Editorial, 1984. p. 10.

[9] KAHN, Charles H. Plato and the Socratic dialogue : The philosophical use of a literary form. Cambridge: Cambridge University Press, 1996. p. 47-48.

[10] Idem p. 43.

[11] Idem. p.48.

[12] NEHAMAS, Alexander. El arte de Vivir: Reflexiones socráticas de Platón a Foucault. Valência: pre-textos, 2005  p.304-305.

Marcos Carvalho Lopes