Comente

Disciplinas deste semestre: filosofia africana e filosofia africana pós-colonial

Nesta segunda-feira, dia 27 de Março, começam as matriculas para o novo semestre na UNILAB. No Campus dos Malês, a adaptação do Bacharelado em Humanidades para a semestralidade gerou importantes mudanças em seu Projeto Pedagógico Curricular (PPC), com a possibilidade de que as estudantes escolham ou não uma Área de Concentração para suas disciplinas optativas. O texto do PPC explica a concepção do BHU-Malês: propomos que o estudante tenha acesso às várias linguagens das humanidades num primeiro momento e, num segundo momento, escolha a sua trajetória de formação optando por seguir uma área de concentração temática ou seguindo objetivos formativos orientados por opções de vida e experiência pessoal. O Bacharelado em Humanidades oferecerá três áreas de concentração, que se alinham com a Missão e Diretrizes da UNILAB em cujos objetivos teóricos, metodológicos e interdisciplinares, estão confiados os estudos relativos às áreas de concentração em Estudos Africanos, Estudos da Diáspora e Estudos sobre Interseccionalidade de gênero, raça e classe”.

Neste semestre vou trabalhar com duas disciplinas: filosofia africana (obrigatória) e filosofia africana pós-colonial (optativa, área de concentração de Estudos Africanos). A disciplina “Filosofia africana” se concentra nos debates e na terapia do conceito de africanidade, ou seja, na tentativa de especificar o que é, quais são as correntes e perspectivas da filosofia africana. Já a “filosofia africana pós-colonial” se afasta da pergunta por essências e propõe interrogações epistemológicas, políticas e éticas dentro de um horizonte pós-independência. Como assevera Tsenay Serequeberhan, os desafios da situação pós-colonial se relacionam com as promessas que falharam sobre o resultado das independências africanas.

Seguem abaixo as ementas dessas disciplinas como estão no PPC. No plano de curso, vamos especificar a bibliografia que iremos utilizar.


 

 

 

 

 

Filosofia africana
(Obrigatória – 60 horas)
Terça-feira: 18:30 às 22:30
Bacharelado em Humanidades – UNILAB – Campus dos Malês

Docente: Marcos Carvalho Lopes – Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (2000) com mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (2007), e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutorado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-RJ (2016).(Curriculo Lattes e sigaa)

Ementa: A filosofia e o multiculturalismo: o caso da filosofia africana; Tipos de filosofia(s) africana(s): etnofilosofia; filosofia sapiencial ou da sagacidade; filosofias ideológicas nacionalistas e pós-coloniais; filosofia profissional.

Bibliografia básica:
APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai: a África na filosofia da cultura. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
P.E.A., Elungu. Tradição africana e racionalidade moderna. Luanda: Pedago/Mulemba, 2014.
TOWA, Marcien. A ideia de uma filosofia negro-africana. Belo Horizonte: Nandyala; Curitiba: NEAB-UFPR, 2015.
MASOLO, Dismas A. African philosophy in search of identity. Indiana University Press, 1994.
 Bibliografia complementar:
BELL, Richard H. Understanding African philosophy: A cross-cultural approach to classical and contemporary issues. Routledge, 2004.
COETZEE, Peter H.; ROUX, Abraham P.J. (eds). The African Philosophy Reader. New York: Routledge, 2002.
COPANS, Jean. A longa marcha da modernidade africana. Saberes, intelectuais, democracia. Luanda: Pedago/Mulemba, 2014.
EZE, Emmanuel Chukwudi (ed.). African Philosophy. Oxford: Blackwell, 1998.
EZE, Emmanuel Chukwudi (ed.). Pensamiento Africano: Ética y Política. Barcelona: Bellaterra, 2001.
EZE, Emmanuel Chukwudi (ed.). Pensamiento Africano: Filosofía. Barcelona: Bellaterra, 2002.
EZE, Emmanuel Chukwudi (ed.). Pensamiento Africano: Cultura y Sociedad.  Barcelona:Bellaterra, 2005.
HALLEN, Barry. A Short History of African Philosophy. Bloomington: Indiana University Press,2002.
IMBO, Samuel Oluoch. An introduction to African philosophy. Rowman & Littlefield, 1998.
P.E.A., Elungu. O despertar filosófico em África. Luanda: Pedago/Mulemba, 2014.
WIREDU, Kwasi (Ed.). A Companion to African Philosophy. Oxford: Blackwell, 2004.
Bibliografia suplementar
HAMPATÉ BÂ, Amadou. A tradição viva. In: KI-ZERBO, Joseph (ed.). História Geral da África I. Metodologia e Pré-história da África. Brasília: Unesco, 2010.
IRELE, Abiola; JEYIFO, Biodun. The Oxford Encyclopedia of African Thought: Abol-impe. Oxford University Press, 2010.
MAZRUI, Ali A; AJAYI, J.F Ade; BOAHEN, A. Adu; TSHIBANGU, Tshishiku. Tendências da filosofia e da ciência na África. In: MAZRUI, Ali A.; WONDJI, Christophe (eds.). História Geral da África, VIII: África desde 1935. Brasília: Unesco, 2010. p. 761-815.
MBEMBE, Achille. África insubmissa. Cristianismo, poder e Estado na sociedade pós-colonial. Luanda: Pedago/Mulemba, 2013.
MUDIMBE, Valentin.Y. A idéia de África. Luanda: Pedago/Mulemba, 2013.
MUDIMBE, Valentin.Y. A invenção da África. Gnose, Filosofia e a Ordem do Conhecimento. Luanda: Pedago/Mulemba, 2013.
OBENGA, Théophile. La philosophie africaine de la période pharaonique 2780-330 avant notre ère. L harmattann, 1990.
 

 

 

 

 

 

Filosofia Africana Pós-colonial
(60 horas – Área de Concentração: Estudos Africanos)
Sexta-feira: 18-30 às 22:30
Bacharelado em Humanidades – UNILAB – Campus dos Malês

Docente: Marcos Carvalho Lopes – Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (2000) com mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (2007), e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutorado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-RJ (2016).(Curriculo Lattes e sigaa)

Ementa: A África e a razão científica moderna; Descolonização, tradição e intersubjetividade; Afropolitanismo e razão negra; Cosmopolitismo e ubuntu: democracia, consenso e tradição; Futuro pós-racial

Bibliografia:

MBEMBE, Achille. Crítica da Razão Negra. Lisboa: Antígona: Lisboa, 2014.
MBEMBE, Achille. Sair da Grande Noite. Ensaio sobre a África descolonizada. Luanda: Pedago/Mulemba, 2014.
HOUNTONDJI, Paulin J. (Org.). O antigo e o moderno: a produção do saber na África contemporânea. Mangualde; Luanda: Edições Pedago; Edições Mulemba, 2014.
MAMA, Amina. “Será ético estudar a África? Considerações preliminares sobre pesquisa académica e liberdade”. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, p. 603-637, 2010.
MASOLO, Dimas A. Filosofia e conhecimento indígena: uma perspectiva africanaEpistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, p. 507-530, 2009.
RAMOSE, Mogobe B. Globalização e Ubuntu. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES,Maria Paula (orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.
Bibliografia complementar:
MBEMBÉ, J.-A. On the postcolony. Univ of California Press, 2001.
CORNELL, Drucilla. Law and revolution in South Africa: Ubuntu, dignity, and the struggle for constitutional transformation. Oxford University Press, 2014.
EZE, Emmanuel Chukwudi (ed.). Postcolonial African philosophy: A critical reader. Cambridge, Blackwell, 1997.
IRELE, Abiola; JEYIFO, Biodun. The Oxford Encyclopedia of African Thought: Abol-impe. Oxford University Press, 2010.
MASOLO, Dismas A. Self and community in a changing world. Indiana University Press, 2010.
MAMDANI, Mahmood. Citizen and subject: Contemporary Africa and the legacy of late colonialism. Princeton University Press, 1996OSHA, Sanya. Postethnophilosophy. Rodopi, 2011.
MUDIMBE, Valentin.Y. A idéia de África. Luanda: Pedago/Mulemba, 2013.
MUDIMBE, Valentin.Y. A invenção da África. Gnose, Filosofia e a Ordem do Conhecimento. Luanda: Pedago/Mulemba, 2013.
OSHA, Sanya. African Postcolonial Modernity: Informal Subjectivities and the Democratic Consensus. Springer, 2014.
OSHA, Sanya. Kwasi Wiredu and beyond: The text, writing and thought in Africa. African Books Collective, 2005.
WIREDU, Kwasi (Ed.). A Companion to African Philosophy. Oxford: Blackwell, 2004.

Marcos Carvalho Lopes