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Um problema filosófico: a primeira aula de filosofia

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O texto discute o problema de como iniciar uma primeira aula de filosofia. Embora possa parecer que qualquer forma de introdução seja válida, o autor argumenta que assumir uma única definição de filosofia pode levar a uma postura autoritária e dogmática. A tradição filosófica mostra justamente o contrário: desde seus primórdios, diferentes filósofos abordaram problemas semelhantes com respostas distintas. A partir dos pré-socráticos, como Tales, Anaximandro e Anaxímenes, até outros pensadores como Xenófanes, Heráclito e Parmênides, percebe-se que a filosofia não se define por um único objeto ou método. Sua característica fundamental é a pluralidade de perspectivas e a abertura do pensamento reflexivo, que busca constantemente superar suas próprias limitações. Leia mais

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A Urgência de um Projecto Moçambicano-Centrado

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No diálogo entre Severino Ngoenha e Luca Bussotti, discute-se a grave crise de soberania e sentido em Moçambique, comparada à decadência do Império Romano. Ngoenha rejeita a subalternização neo-colonial (FMI, hegemonia ocidental, submissão pan-africanista a lideranças europeias de extrema-direita) e defende um projeto moçambicano-centrado: assumir os recursos naturais (gás, minerais, ouro) como patrimônio público do Estado e do povo, geridos com transparência e finalidade social, como única via ética e existencial para conquistar soberania real, combater a “barbaridade interna” (pobreza, guerra em Cabo Delgado, desigualdade) e evitar nova dominação. Leia mais

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Rorty: a dignidade em forma de vida

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No texto, Jurandir Freire Costa recorda o impacto intelectual e humano que teve ao conhecer a obra e a pessoa de Richard Rorty. Ao reler A filosofia e o espelho da natureza, o autor destaca a clareza com que Rorty traduz problemas complexos da filosofia e sua defesa de duas ideias éticas centrais: evitar a dor e a humilhação dos outros e ampliar continuamente o “nós” da solidariedade humana. Costa também relembra encontros pessoais com o filósofo no Brasil, nos quais se revelou sua generosidade, simplicidade e coerência entre pensamento e modo de viver. Para o autor, Rorty foi um exemplo raro de filósofo cuja vida expressava suas ideias, tornando a filosofia um exercício de atenção ao outro, à liberdade e à convivência democrática. Leia mais

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#242 – Além do Princípio do Pudor, com Jurandir Freire Costa

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Neste episódio que abre a 11ª temporada do Filosofia Pop, Marcos Carvalho Lopes conversa com Jurandir Freire Costa sobre o livro Além do Princípio do Pudor. A partir de Freud e da tradição psicanalítica, o diálogo aborda a formação das massas, o papel das paixões na vida política, experiências de desenraizamento social e os desafios contemporâneos da democracia. Uma reflexão sobre cultura, subjetividade e vida pública no presente. Episódio realizado em parceria com o projeto de extensão Filosofia, Cultura Popular e Ética (UFJ). Leia mais

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Sobre decoloniais e Nêgo Bispo

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O texto propõe uma leitura crítica das abordagens chamadas “decoloniais” a partir do pensamento de Nêgo Bispo, ressaltando que a descolonização não é apenas uma operação teórica ou acadêmica, mas um modo de existência ligado à terra, à memória, à oralidade e às práticas comunitárias. Em vez de traduzir essas experiências para categorias filosóficas já consagradas, o autor sugere que é preciso deslocar o próprio lugar de enunciação do pensamento, reconhecendo saberes historicamente marginalizados como formas legítimas de produção de mundo, conhecimento e política. A reflexão tensiona o risco de institucionalização abstrata do “decolonial” e aponta para uma perspectiva enraizada, relacional e insurgente. Leia mais

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Entre o tempo e as circunstâncias

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O ensaio reflete sobre a perda de orientação (“o Norte”) no mundo contemporâneo, explorando a tensão entre a visão hegeliana do tempo universal (concentrado em grandes figuras e instituições) e a perspectiva orteguiana das circunstâncias concretas e locais. Do multilateralismo global às realidades africanas (Moçambique, África Austral, União Africana), observa-se em todos os níveis a decomposição de horizontes éticos, normativos e coletivos. A metáfora do tabuleiro de xadrez sugere que, em vez de focar apenas em reis e rainhas (potências dominantes), a esperança reside na ação estratégica e cooperativa dos “peões” (periferias, países pequenos, povos subalternos), rumo a um universal relacional, humanista e baseado em justiça, redistribuição e corresponsabilidade pela dignidade humana, sem novas hegemonias. Leia mais

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Quarta-feira de cinzas da teoria: balanço filosófico do carnaval

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O texto propõe um balanço filosófico do carnaval como categoria interpretativa da cultura, mostrando que a tentativa da filosofia de reduzir a polifonia a uma teoria unificadora entra em tensão com a própria lógica da carnavalização. Entre crítica e potência, o carnaval aparece como prática ambígua: pode tanto reproduzir alienações quanto abrir experiências de reconhecimento, conflito e transformação ética e política. Leia mais

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Democracia em Tradução

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Em “Democracia em Tradução”, Samuel Joina Ngale e Severino Ngoenha questionam se a democracia moçambicana é viva ou apenas um ritual eleitoral vazio. Inspirados em George M. Carew, defendem uma democracia deliberativa, enraizada na história e cultura moçambicana, com escuta pública, responsabilização real e construção do comum — superando o modelo liberal-eleitoral distante do povo. Leia mais

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Profetas do carnaval brasileiro: Merquior e Flusser

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O ensaio analisa como José Guilherme Merquior e Vilém Flusser transformaram o carnaval em chave interpretativa da cultura brasileira. Enquanto Merquior o vê como compensação simbólica perdida no processo de racionalização moderna, Flusser o entende como forma de vida não histórica, ligada ao corpo, ao jogo e à matriz africana. Entre nostalgia e aposta utópica, ambos projetam no carnaval uma promessa de superação da crise ocidental — promessa cuja ambiguidade ainda interpela o presente. Leia mais

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Carnaval (e carnavalização) entre o Renascimento e a Globalização

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O texto analisa o carnaval como chave interpretativa da cultura ocidental, partindo da leitura de Mikhail Bakhtin, para quem a festa medieval instaurava um “segundo mundo” de inversões simbólicas, riso coletivo e suspensão provisória das hierarquias. Em diálogo crítico com Umberto Eco, Slavoj Žižek e Zygmunt Bauman, o ensaio mostra como essa lógica carnavalesca se transforma na modernidade tardia: de ritual popular potencialmente subversivo, ela passa a operar como forma difusa de espetáculo, consumo e entretenimento permanente. A carnavalização deixa então de ser exceção para tornar-se traço estrutural da vida contemporânea, marcada pela mídia, pelo mercado e por identidades cada vez mais fluidas. Leia mais