13 comentários

Filosofia Pop #039 – Anarquismo


Murilo Ferraz e Marcos Carvalho Lopes recebem Selmo Nascimento, doutorando em História, Mestre em Sociologia e professor no colégio Pedro II para falar sobre Anarquismo.

Se você não conhece ainda a mídia podcast e tem dúvidas sobre como acompanhar o programa, leia este guia.

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Com vocês, mais um episódio do podcast Filosofia Pop!


Sobre o Selmo Nascimento

Selmo Nascimento
Selmo Nascimento possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2001) e mestrado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2004). Atualmente é professor de Sociologia do Colégio Pedro II e aluno do doutorado do PPGH-UFF. Iniciou suas pesquisas em ciências sociais nas áreas do Pensamento Social Brasileiro e Antropologia da Religião. Hoje se dedica aos estudos da Sociologia do Trabalho, desenvolvendo pesquisas sobre sindicalismo e luta de classes no Brasil

Curso Anarquismo e Sindicalismo: Bakunin com Selmo Nascimento

Currículo Lattes do Selmo Nascimento


Comentados no episódio

1h07m50s – Indicações de livros, músicas e vídeos

Indicações do Selmo:

[Livro] Mikhail Bakunin – Federalismo, Socialismo e Antiteologismo
[Livro] Andrey Cordeiro Ferreira – Pensamento e práticas insurgentes
[Filme] Os Panteras Negras
[Filme] Libertários
[Teatro] Sacco & Vanzeti
[Página] União Popular Anarquista (UNIPA)
[Página] Fórum de Oposições pela Base (FOB)

Indicações do Marcos:

[Quadrinhos] V de Vingança
[Livro] Ronie Silveira – O carnaval e a filosofia
[Filme] Clube da Luta (1999)

Indicações do Murilo:

[Filme] Germinal (1993)

Murilo Ferraz

Graduado em Ciência(s) da Computação, fotógrafo amador e agora podcaster

  • Victor

    Gostei muito da explanação, apesar de não ser adepto da posição e sentir um certo desconforto na militância extrema do convidado. rsrsrsrsrs…. Mas se tem que falar de tal tema, é bom que seja na visão de um especialista que luta pela causa, apesar de ver uma série de problemas em algumas opiniões do mesmo. Já tinha lido algo a respeito, mas particularmente, acho um meio um pouco impraticável, já que o anarquismo meio que ignora a natureza humana em todos os seus aspectos, para visualizá-la se auto governando da maneira anarquista.

    Uma dúvida: ele citou a respeito, mas não esclareceu a diferença entre o anarquismo de esquerda e o anarco capitalismo. Qual seria a diferença? Grato.

    • Victor, eu não sou especialista em anarquismo, acho que não tenho gabarito para responder completamente a sua dúvida.

      A posição do Selmo, pelo que entendi, é deu que o anarquismo só poderia ser anticapitalista e de esquerda e o anarco capitalismo seria uma distorção do verdadeiro anarquismo.

      Eu acredito que esta posição não seja a única possível e várias críticas poderiam ser feitas ao anarco capitalismo (ou aos anarco capitalismos, acho que não é possível nem unificá-los) mesmo considerando-os como anarquistas.

      Por exemplo: como seria possível manter a estrutura capitalista sem o estado (para garantir a propriedade privada, por exemplo)? Ou ainda: o anarco capitalismo parece não romper com uma forma de poder importante hoje que é a das corporações e parece vê-las com bons olhos. Seria como substituir o Estado pelo Estado SA.

      • Victor

        Sim, por isso queria ver as diferenças. O anarquismo é originariamente de esquerda, né. Não concordo com nenhum dos dois, claro. Um Estado mínimo estaria de bom tamanho, mas essas perguntas poderiam ser feitas ao anarquismo esquerdista tbm. Será que essas associações que iriam meio que “governar”, no anarquismo, não poderiam virar uma nova “oligarquia”?

        A minha questão é sustentar qualquer ordem ou organização numa anarquia. A meu ver seria confiar demais na natureza humana. E pela minha experiência e experiência da história mundial, isso não seria sensato. De qualquer forma, deu pra entender algumas coisas.

        Outra coisa, que ficou na dúvida. O que ele quis dizer com a ocupação das escolas ser “filha legítima” das manifestações de 2013? Pois a última foi apartidária e espontânea, mesmo que tenha começado com um grupo, tomou proporções incontroláveis que fugiram desse grupo; e a ocupação das escolas é totalmente partidária, controlada e organizada. Por isso não entendi essa afirmação dele. Seria “filha” no sentido de manifestação, somente? Grato.

      • Acredito que o anarquismo defendido por Bakunin defende uma forma de governo de baixo para cima, das bases para o topo. Por isso o modelo de federação. Em toda estrutura de poder há sempre o risco de que ela seja tomada por outras forças.

        Falar em natureza humana é um tanto anacrônico. O que seria esta natureza?

        Sobre as manifestações, eu não saberia dizer exatamente a posição do Selmo. O que penso é que é um fenômeno muito recente e complexo. Ainda vai ser muito estudado ao longo dos anos.

        Só para contrapor a sua fala, as manifestações não foram tão apartidárias assim, já que os grupos que organizaram os protestos de direita tiveram financiamento de partidos de direita e vários de seus membros saíram como candidatos e foram eleitos por partidos de direita nas últimas eleições. Elas começaram com movimentos de esquerda, cresceram como reivindicação de melhores serviços e depois foram tomando outra forma, de uma reivindicação genérica contra corrupção e até de volta da ditadura. O processo de mudança de perfil das manifestações naquele curto espaço de tempo ainda precisa ser melhor esclarecido. No fim me pareceu que as manifestações eram muito mais antipolíticas do que apartidárias.

        Falar que as ocupações das escolas são “totalmente partidárias” é, no mínimo, uma afirmação forte. Até onde acompanhei (visitei algumas ocupações de universitários), eram organizadas pelos próprios estudantes e não havia nenhuma liderança partidária nos locais. Até o movimento sindical das universidades só foi apoiar as ocupações depois que já estavam ocorrendo. Me parece que até mesmo a UNE foi pega de surpresa pelas ocupações e depois tentou se colocar como liderança do movimento. Não duvido que em alguns lugares tenha sido amplamente partidarizada e nem que tenha apoio de partidos políticos. Mas acho apressado generalizar.

        Acredito que a leitura do Selmo tem a ver com o movimento do passe livre e também com os black blocs como formas de manifestação anarquistas.

  • Comecei a seguir a pouco tempo e este podcast sobre anarquismo foi bem esclarecedor. Parabéns por tudo! Continuarei ouvindo. Faz um sobre a Revolução Cubana, queria muito saber mais sobre isso! Abraço!

    • Olá, @disqus_CKI7bOPz4Z:disqus. Que bom que curtiu. Pode ser que role algo nesse sentido sim.

  • Márcio

    A que ponto chegamos! Como ouvinte assíduo do “Filosofia Pop” pela qualidade dos debates, escutando o “podcast” de hoje, meu sentimento foi de indignação. Ouvir um professor de universidade pública fazendo militância política e ideológica, ao invés de estar cumprindo o seu mister de ensinar, mostra a que ponto chegou a degradação do ensino no País. É inconcebível ouvir um servidor público, agente do Estado e remunerado por ele, militando em favor do esbulho e da supressão, à força, do patrimônio público e privado, pregando a extinção do próprio Estado, que, por incrível que pareça, tem ele como um de seus representantes. Isso sem contar as falas políticas e de interesses partidários a respeito de Proposta de Emenda Constitucional, como a PEC da limitação dos gastos públicos. A que ponto chegamos!

    • Oi, Márcio. Que pena que não gostou do programa. Acho que o tema acrescenta muito ao debate político, principalmente porque existe pouco material sobre anarquismo por aí na forma de podcast.

      O Selmo não é professor universitário. Não me lembro de em algum ponto do programa ele ter exposto sobre as aulas dele e sobre o conteúdo que ministra em sala.

      Acredito que há uma diferença entre o “ser” e o “dever ser”. Uma coisa é pensar como “deve ser” o mundo. Outra coisa é viver o mundo como ele é. Nestas circunstâncias, todos temos que tocar as vidas como o mundo é, encontrando empregos, conseguindo dinheiro, vivendo nossas vidas. Isto não impede de pensar em como o mundo deve ser (pensar em um mundo sem estado enquanto é servidor público, por exemplo). Nem de agir para que o mundo seja como desejamos.

      Embora eu não seja anarquista, sou também servidor público em uma universidade. No meu ambiente de trabalho, tenho colegas liberais que defendem a privatização da universidade e o estado mínimo. São também servidores públicos mas veem o “dever ser” do mundo de outra forma (uma em que eles não poderiam ser servidores públicos federais da universidade em que estão agora).

      Particularmente, não acredito que seja possível um “fim do estado”. Acredito que nós humanos tendemos a nos organizarmos hierarquicamente e no fim das contas sempre formaremos alguma coisa como um estado, mesmo que não chamemos disso. Isso é bem diferente de dizer que concordo com o modelo de estado que temos hoje, mas isso é outra história…

      No nosso podcast, nós definimos a pauta, selecionamos os convidados. Não existe imparcialidade (nem aqui, nem no estadão, nem na carta capital, nem no jornal nacional, nem em lugar nenhum). Os convidados falam como querem, mesmo que não concordemos. O importante é colocar as posições em debate. Não aceitamos que nos pautem.

      Você acredita que a defesa da PEC como foi aprovada não é de “interesse partidário”? Eu não milito em partido nenhum. Acredito que o Marcos também não. O Selmo é anarquista, dificilmente é militante de algum partido. Se algum de nós fosse militante de algum partido, qual o problema também? Eu, se fosse, deixaria claro.

      A indignação que você sente talvez seja por ouvir o que não queria ouvir. Isso só pode significar que afetamos você de alguma forma. Se é assim, o objetivo foi cumprido.

      Espero que tenha percebido com estes comentários que o tema é muito interessante para iniciar debates. Sinceramente, espero você nos próximos episódios.

      • Marcio

        Boa noite Murilo.

        Com a vontade de expor meu sentimento, acabei me esquecendo de parabenizá-los pelo programa. O programa foi muito esclarecedor.

        Importante para informar corretamente sobre a ideologia anarquista, que eu mesmo não tinha muito conhecimento. Para tanto, nada melhor que convidar alguém que tenha afinidade sobre o tema.

        Não conheço o professor Selmo. Mas a minha conclusão sobre a militância foi tirada depois de escutar a exposição dele e ver o colégio público ao qual ele ministra aulas (Colégio Pedro II). Sabemos que tal colégio foi ocupado por estudantes, sob o pretexto de combater algumas reformas em discussão no Congresso Nacional, sendo a mais famosa a tal “PEC do Teto”. Difícil acreditar que os alunos fariam isso sozinhos sem ajuda dos professores. Também, colocando o nome dele no “Google”, é possível descobrir que, apesar de ser professor de Sociologia, só se encontra ele falando do tema “Anarquimo e Sindicalismo”.

        Minha indignação, portanto, não foi em relação ao “podcast” nem ao “Filosofia Pop”, mas sim com a ideologização e a consequente decadência do ensino público. E continuo achando contraditório pregar o fim do Estado, mas se beneficiar dele.

        Mas concordo com você nos seguintes pontos, a exemplo de quando estabelece a distinção do “ser” o do “dever ser”: a escola pública “deveria ser” um local de ensino, pesquisa, debates e disseminação do do conhecimento, ao invés de “ser” tomada pela militância e pela patrulha ideológica. E também na questão da imparcialidade dos convidados: se não fossem parciais, não haveria debate e nem poderíamos extrair a síntese com as nossas próprias conclusões.

        Mas tudo isso é só minha opinião. Obrigado pela coragem de criarem esse importante canal de reflexão e debates.

      • Bianca

        Mas ou, você tem que entender que não tem como não “ser capitalista” se você vive em uma sociedade que impõe o capitalismo. Ou você sobrevive do jeito que lhe é imposto, ou você morre de fome. E é exatamente por isso que deve ter luta… somos todos escravizados pelo capital ainda.

        Se você tiver interesse em saber mais sobre o anarquismo ia ser muito massa.. eu gosto bastante porque eu acho que a democracia representativa é um mito e que a gente tem que parar de achar que alguém é capaz de representar a gente, gosto quando diz e mostra que o povo é capaz de se organizar e lutar pelo que quer, ações diretas, cooperação, e boto fé que pode ser o presidente que for aqui no brasil que vai ser a mesma merda (um pouco melhor, um pouco pior), não vai resolver muita coisa, acho muito que as pessoas tem que se inteirar e participar mais da política (e não só em épocas críticas…) porque isso interfere diretamente na nossa vida, a luta deve ser constante, contínua. Acho que a liberdade é fundamental e que nesse sistema capitalista que a gente vive ela não existe e isso atrapalha em muita coisa, gera insatisfação, doenças, competição doentia.. enfim, hahaha não sei se to atrapalhando mais ou ajudando de alguma forma.. só queria dizer que o anarquismo é muito massa, mas é preciso coragem de “por a mão na massa” pra mudar e pra isso a galera precisa despertar que o jeito de vida e sociedade que nos é imposto não é a única opção e nem a melhor e acreditar que tem sim como ser diferente e que nós mesmos podemos construir e fazer ser diferente.. e não vai ser sozinho que isso vai dar certo, tem que ser uma coisa coletiva. Tem umas páginas que discutem o assunto, uns textos massa de ler que talvez te ajudem a entender melhor e te esclareça melhor.. só não desiste do anarquismo nãoooooo

        sobre o que você disse do ensino médio… não acho que seja bem assim não.. achei ótimo a galera ocupando e discutindo política e muito mais que discutindo: agindo! acho que o ensino médio e a escola é o melhor lugar pra isso acontecer, já que é um espaço de formação.. os estudantes são pensantes e tem muito senso crítico pra saber se concordam ou não com algo… tem professores que falam e defendem várias “correntes” políticas e se a galera comprou a ideia da ocupação, acho que isso quer dizer alguma coisa! Na minha época de ensino médio não havia debates políticos e eu sinto muita falta disso, enfim, o ensino médio deve ser um local para disseminação de conhecimento, pesquisa e que não fique só na teoria, deve ser um local de práticas e ações também! Afinal, não se muda nada (socialmente falando) lendo livros e escrevendo pesquisas, são importantes sim, mas acho que a ação é extremamente fundamental também

      • Victor

        Bianca, gostei da sua opinião. Só um problema. Um debate político numa escola, como você falou seria realmente ótimo. Eu também queria ver isso. Mas infelizmente, não é possível ver um “debate” desses numa escola, hoje, já que seria mais parecido com um monólogo, já que a escola atual não é um lugar onde todas as opiniões são colocadas e discutidas, mas a ênfase absurda é nas políticas esquerdistas (no máximo, talvez, um aluno um pouco melhor informado). Seria legal ver discussões sobre políticas socialistas ou liberais, mas o segundo é sempre tratado como vilão, ou um espantalho. Mas continuemos lutando pela escola aberta a todas as posições.

  • Bianca

    muito boa a discussão, gostei muito! é um assunto muito necessário de ser discutido e entendido pela população. tá passando da hora de ter uma organização de verdade e forte pra romper com essa ordem estabelecida. não queremos reforma, queremos revolução!

    • Oi, Bianca. Que bom que curtiu. Eu continuo um reformista safado. Sempre achei interessante colocar o anarquismo nessa discussão política porque quebra um pouco com a ideia de que “esquerda = comunismo” e de que esquerda só quer ditadura.