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Heráclito e Hegel: o πολίτης e o ἰδιώτης

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O texto analisa a relação entre o pensamento de Heráclito e Hegel a partir da ideia de um princípio universal comum (o lógos) que estrutura a realidade e o conhecimento. Partindo de uma passagem em que Hegel reconhece a influência decisiva de Heráclito, o autor explora a oposição entre o comum e o particular, articulando-a com a distinção grega entre πολίτης (cidadão voltado ao bem comum) e ἰδιώτης (indivíduo fechado em seus interesses privados). Essa tensão reaparece na filosofia da história hegeliana e é mobilizada para pensar criticamente o presente, em que o interesse privado muitas vezes se disfarça de ação pública. Leia mais

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Liberdade e livre-arbítrio em Hegel (Um diálogo em sala de aula)

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O texto discute o tensionamento entre liberdade humana e o determinismo histórico na filosofia de Hegel. A partir de uma dúvida levantada em sala de aula sobre as Lições sobre a filosofia da história, analisa-se como o Espírito Absoluto progride rumo à autoconsciência por meio da “astúcia da razão”, utilizando grandes personalidades históricas (como Alexandre, César e Napoleão) para realizar seus fins universais, sem que isso elimine completamente o livre-arbítrio. O autor diferencia o livre-arbítrio (visto como arbitrariedade passional) da verdadeira liberdade, que consiste em agir segundo a vontade racional universal, e compara brevemente o problema com a onisciência divina no cristianismo. Leia mais

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Hegel, os gregos e o grande paradoxo da filosofia

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O texto discute a concepção de Georg Wilhelm Friedrich Hegel sobre a história da filosofia como um processo único e cumulativo, no qual cada filósofo contribui para o desenvolvimento de uma única filosofia. Em contraste com a visão do jovem Ludwig Wittgenstein, que via grande parte da filosofia anterior como um conjunto de enunciados sem sentido, Hegel entende a tradição filosófica como um movimento histórico contínuo em direção à autoconsciência da própria filosofia. O autor problematiza essa ideia ao recorrer à noção de incomensurabilidade das teorias filosóficas, associada à filosofia da ciência de Thomas Kuhn. Surge então um paradoxo: se a filosofia se desenvolve historicamente rumo à compreensão de sua essência, os próprios filósofos — desde os gregos até os modernos — contribuíram para esse processo sem saber plenamente o que estavam criando. Leia mais

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Uma experiência com Descartes, Hegel e Berkeley

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O texto relata três experiências intelectuais marcantes vividas pelo autor durante sua formação filosófica, envolvendo as concepções de Deus em Descartes, Berkeley e Hegel. Na leitura das Meditações, o autor se surpreende ao perceber que, para Descartes, a certeza do conhecimento humano depende da existência de Deus, o que parece limitar a autonomia da razão. Anos depois, ao estudar Berkeley, encontra uma concepção ainda mais radical: como existir é ser percebido (esse est percipi), Deus se torna o garante permanente da existência das coisas quando não estão sendo percebidas por nós. Por fim, ao ler as Lições de Filosofia da História de Hegel, o autor percebe que também ali Deus aparece como fundamento último do sentido da história universal, expressa na ideia de uma teodiceia histórica. A reflexão termina com uma provocação: diante dos acontecimentos contemporâneos, especialmente da política atual, surge a dúvida se o otimismo hegeliano sobre o progresso da história ainda pode ser sustentado. Leia mais

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Um problema filosófico: a primeira aula de filosofia

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O texto discute o problema de como iniciar uma primeira aula de filosofia. Embora possa parecer que qualquer forma de introdução seja válida, o autor argumenta que assumir uma única definição de filosofia pode levar a uma postura autoritária e dogmática. A tradição filosófica mostra justamente o contrário: desde seus primórdios, diferentes filósofos abordaram problemas semelhantes com respostas distintas. A partir dos pré-socráticos, como Tales, Anaximandro e Anaxímenes, até outros pensadores como Xenófanes, Heráclito e Parmênides, percebe-se que a filosofia não se define por um único objeto ou método. Sua característica fundamental é a pluralidade de perspectivas e a abertura do pensamento reflexivo, que busca constantemente superar suas próprias limitações. Leia mais

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A linguagem humana: a dialética do subjetivo e o objetivo

Da pra reconhecer. 4

Que é o mundo humano senão a objetivação de inusitadas subjetividades ensaio de Gonçalo Armijos Palácios*             Xenófanes queixava-se, aproximadamente 450 anos a.C., do caráter antropológico da religião: “Tudo aos deuses atribuíram Homero e Hesíodo, tudo o que entre os… Leia mais

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A via do ser e a dúplice via do lógos

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As múltiplas dimensões do ser somam-se a infinitas possibilidades exegéticas da nossa mente ensaio de Gonçalo Armijos Palácios*             Há indícios, inúmeros, que, desde o começo, o filosofar segue dois caminhos. Duas vias não necessariamente separadas. Muito pelo contrário, são… Leia mais