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A filosofia como profecia secular e responsabilidade pública

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O texto reflete sobre a ideia de “profecia secular” como imagem da responsabilidade pública da filosofia em Moçambique. A partir da leitura feita por Dom Ernesto Maguengue do livro Memento para Moçambique, Severino Ngoenha interpreta a figura do filósofo não como rei, sacerdote ou técnico da legitimação, mas como alguém capaz de dizer ao poder o que ele não quer ouvir e à comunidade aquilo que ela prefere esquecer. A evocação do profeta Ageu permite pensar o “templo em ruínas” como metáfora da República, da memória pública, da justiça e da dignidade comum. A filosofia aparece, assim, como reconstrução da linguagem coletiva: uma prática crítica que nomeia feridas, enfrenta esquecimentos administrados e afirma Moçambique não apenas como objeto de estudo, mas como lugar legítimo de pensamento, criação conceitual e responsabilidade histórica. Leia mais

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Diálogo com Carlos Martins

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No ensaio “Diálogo com Carlos Martins”, Severino Ngoenha reflete sobre a importância ética e política de não desistir de Moçambique. Num contexto em que as instituições democráticas enfrentam uma profunda crise de confiança, o autor defende que a luta contemporânea pelo país não passa apenas por reformas institucionais, mas pela recusa do desencanto e do abandono. A “ética da permanência” surge como a forma mais profunda de resistência: continuar a acreditar na possibilidade de um espaço comum justo, mesmo diante das fragilidades do presente. Carlos Martins traz a ideia de que preservar a esperança coletiva e o cuidado com as instituições é hoje a principal forma de lutar por Moçambique. Leia mais

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SAIAM DA FRENTE DOS NOSSOS RAIOS DE SOL

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Severino Ngoenha critica a dependência africana contínua em relação às potências externas. Enquanto líderes africanos participam de cimeiras com França, China, EUA e outros, o continente permanece fragmentado e subserviente. Inspirado em Diógenes, o autor convoca a África a romper com a nova servidão, rejeitando tutelas externas e elites internas submissas, e a recuperar sua soberania e unidade continental. Leia mais

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Lutar por Moçambique hoje, sem voz única

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O desafio do comum num debate aberto do Atelier Filosófico Severino Ngoenha9 de maio de 2026 O imprevisto que abriu o essencial O Atelier Filosófico prossegue, em 2026, a sua convocatória: lutar por Moçambique hoje. A cada sessão, uma voz… Leia mais

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OS PARADOXOS DO DIA DO TRABALHO

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O ensaio de Severino Ngoenha analisa os paradoxos do 1º de Maio, que se tornou mais um ritual vazio do que uma celebração viva. O autor destaca a contradição entre a memória da luta revolucionária e a realidade atual de desigualdade, individualismo e amnésia coletiva. Antigos movimentos de libertação tornaram-se gestores do poder, enquanto a ascensão social dissolve a consciência de classe. O texto defende a necessidade de reconstruir o “comum” e uma nova solidariedade coletiva diante da fragmentação atual. Leia mais

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Os Papas sem Exércitos diante dos Reis Armados

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teólogo Giuseppe Meloni, o filósofo Severino Ngoenha analisa a tensão entre egolatria — o culto ao ego do líder que transforma o poder em autopreservação e espetáculo — e a reladolia, uma racionalidade alternativa fundada na relação, no serviço e no comum. Contrapondo a força militar à legitimidade moral, o ensaio critica a personalização extrema do poder em figuras como Trump, Putin, Xi Jinping e Netanyahu, e propõe o conceito africano de Ubuntu como antídoto: “eu sou porque nós somos”. No centro da reflexão está a pergunta: conseguirá a política recuperar o sentido de que governar é servir, ou continuará prisioneira do ego armado? Leia mais

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A HOMODISSEIA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: ENTRE O DOMÍNIO PROMETIDO E O DESCARTE HUMANO

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A promessa de domínio da inteligência artificial constitui uma reconfiguração contemporânea da lógica escravocrata, baseada não no domínio real, mas na sua simulação ideológica, que é profundamente desafiadora para as condições da existência humana. GIVERAGE ALVES DO AMARAL1 Nas plataformas… Leia mais

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Matámos o cão tinhoso, mas não eliminámos a (contagiosa) tinha

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O ensaio retoma a metáfora de Nós Matámos o Cão Tinhoso, de Luís Bernardo Honwana, para refletir sobre o significado contemporâneo de “lutar por Moçambique”. Se a geração da independência derrotou o colonialismo, a luta atual desloca-se para desafios internos e difusos: corrupção, desigualdades, fragilidade institucional e pressões externas sobre os recursos naturais. A partir de um diálogo com Honwana, Severino Ngoenha defende que a tarefa presente consiste em consolidar um Estado forte, inclusivo e soberano, capaz de garantir justiça social e reconstruir o sentimento de pertença coletiva. A “tinha” — agora metafórica — designa essas formas silenciosas de corrosão da vida política que exigem uma nova ética e um novo compromisso com o futuro do país. Leia mais