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Eu sou Africano – Thabo Mbeki

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O discurso “Eu sou Africano”, de Thabo Mbeki, é uma poderosa afirmação de identidade, memória e pertencimento construída a partir da diversidade histórica e cultural da África do Sul. Mbeki articula uma identidade africana plural, formada por povos originários, colonizadores, escravizados e migrantes, reconhecendo tanto as violências do passado — como o colonialismo e o apartheid — quanto as lutas por liberdade e dignidade.

O texto culmina na celebração da nova Constituição sul-africana como marco de reconciliação, justiça e democracia, afirmando um projeto político baseado na igualdade, na dignidade humana e na construção de um futuro comum. Trata-se de um discurso que transforma a memória histórica em fundamento ético e político para a reconstrução nacional e continental. Leia mais

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A HOMODISSEIA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: ENTRE O DOMÍNIO PROMETIDO E O DESCARTE HUMANO

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A promessa de domínio da inteligência artificial constitui uma reconfiguração contemporânea da lógica escravocrata, baseada não no domínio real, mas na sua simulação ideológica, que é profundamente desafiadora para as condições da existência humana. GIVERAGE ALVES DO AMARAL1 Nas plataformas… Leia mais

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A Páscoa ou a hipocrisia da ressurreição adiada

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Neste ensaio, o filósofo moçambicano Severino Ngoenha questiona o sentido da celebração da Páscoa numa humanidade que continua a produzir sofrimento e morte. Partindo da imagem perturbadora de um “Cristo que foge da cruz”, o autor critica a hipocrisia de comemorar a ressurreição enquanto a “sexta-feira santa” — o sofrimento, a precariedade e a necropolítica — se prolonga indefinidamente na vida dos mais vulneráveis, especialmente em Moçambique e noutros territórios marcados pela desigualdade. Em vez de uma Páscoa festiva e gastronómica, Ngoenha defende uma rememoração exigente que confronta a responsabilidade histórica e transforma a cruz num chamado à justiça concreta, sem o qual não pode haver verdadeira ressurreição. Leia mais

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Matámos o cão tinhoso, mas não eliminámos a (contagiosa) tinha

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O ensaio retoma a metáfora de Nós Matámos o Cão Tinhoso, de Luís Bernardo Honwana, para refletir sobre o significado contemporâneo de “lutar por Moçambique”. Se a geração da independência derrotou o colonialismo, a luta atual desloca-se para desafios internos e difusos: corrupção, desigualdades, fragilidade institucional e pressões externas sobre os recursos naturais. A partir de um diálogo com Honwana, Severino Ngoenha defende que a tarefa presente consiste em consolidar um Estado forte, inclusivo e soberano, capaz de garantir justiça social e reconstruir o sentimento de pertença coletiva. A “tinha” — agora metafórica — designa essas formas silenciosas de corrosão da vida política que exigem uma nova ética e um novo compromisso com o futuro do país. Leia mais

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Heráclito e Hegel: o πολίτης e o ἰδιώτης

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O texto analisa a relação entre o pensamento de Heráclito e Hegel a partir da ideia de um princípio universal comum (o lógos) que estrutura a realidade e o conhecimento. Partindo de uma passagem em que Hegel reconhece a influência decisiva de Heráclito, o autor explora a oposição entre o comum e o particular, articulando-a com a distinção grega entre πολίτης (cidadão voltado ao bem comum) e ἰδιώτης (indivíduo fechado em seus interesses privados). Essa tensão reaparece na filosofia da história hegeliana e é mobilizada para pensar criticamente o presente, em que o interesse privado muitas vezes se disfarça de ação pública. Leia mais

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Liberdade e livre-arbítrio em Hegel (Um diálogo em sala de aula)

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O texto discute o tensionamento entre liberdade humana e o determinismo histórico na filosofia de Hegel. A partir de uma dúvida levantada em sala de aula sobre as Lições sobre a filosofia da história, analisa-se como o Espírito Absoluto progride rumo à autoconsciência por meio da “astúcia da razão”, utilizando grandes personalidades históricas (como Alexandre, César e Napoleão) para realizar seus fins universais, sem que isso elimine completamente o livre-arbítrio. O autor diferencia o livre-arbítrio (visto como arbitrariedade passional) da verdadeira liberdade, que consiste em agir segundo a vontade racional universal, e compara brevemente o problema com a onisciência divina no cristianismo. Leia mais

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Hegel, os gregos e o grande paradoxo da filosofia

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O texto discute a concepção de Georg Wilhelm Friedrich Hegel sobre a história da filosofia como um processo único e cumulativo, no qual cada filósofo contribui para o desenvolvimento de uma única filosofia. Em contraste com a visão do jovem Ludwig Wittgenstein, que via grande parte da filosofia anterior como um conjunto de enunciados sem sentido, Hegel entende a tradição filosófica como um movimento histórico contínuo em direção à autoconsciência da própria filosofia. O autor problematiza essa ideia ao recorrer à noção de incomensurabilidade das teorias filosóficas, associada à filosofia da ciência de Thomas Kuhn. Surge então um paradoxo: se a filosofia se desenvolve historicamente rumo à compreensão de sua essência, os próprios filósofos — desde os gregos até os modernos — contribuíram para esse processo sem saber plenamente o que estavam criando. Leia mais

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Uma experiência com Descartes, Hegel e Berkeley

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O texto relata três experiências intelectuais marcantes vividas pelo autor durante sua formação filosófica, envolvendo as concepções de Deus em Descartes, Berkeley e Hegel. Na leitura das Meditações, o autor se surpreende ao perceber que, para Descartes, a certeza do conhecimento humano depende da existência de Deus, o que parece limitar a autonomia da razão. Anos depois, ao estudar Berkeley, encontra uma concepção ainda mais radical: como existir é ser percebido (esse est percipi), Deus se torna o garante permanente da existência das coisas quando não estão sendo percebidas por nós. Por fim, ao ler as Lições de Filosofia da História de Hegel, o autor percebe que também ali Deus aparece como fundamento último do sentido da história universal, expressa na ideia de uma teodiceia histórica. A reflexão termina com uma provocação: diante dos acontecimentos contemporâneos, especialmente da política atual, surge a dúvida se o otimismo hegeliano sobre o progresso da história ainda pode ser sustentado. Leia mais